Para os advogados

Não são as suas capacidades que estão em causa. Quando negoceia com um colega, baseia-se nos factos legais que conhece e no problema descrito pelo seu cliente e sabe que se não chegar a acordo, vai encontrar no tribunal o seu colega e isto limita-o, pois não quer que factos ou ideias que expôs venham ser utilizados em tribunal em desfavor do seu cliente. Portanto, a sua negociação limita-se aos factos legais e as posições que acha adequadas adoptar em representação do seu cliente.

Existem muitas razões: quem decide no tribunal é o juiz, que não controla, enquanto na mediação, quem decide é o seu cliente, na base dos seus conselhos. A mediação é para si uma oportunidade única de reforçar e de desenvolver a relação com o seu cliente. Propor a mediação não é um sinal de fraqueza, mas de inovação e de respeito dos interesses do seu cliente.

Pode e se entender que essa é a melhor forma de resolver o caso do seu cliente, é aconselhável que o faça. O juiz pode determinar a suspensão da instância para que as partes cheguem a um acordo que pode ser alcançado através da mediação. Nesse caso, o juiz pode homologar o acordo como se de uma normal transacção se tratasse.

Enquanto advogado compete-lhe proceder ao estudo do assunto que o seu cliente lhe confia, tanto na perspectiva da avaliação da prova que este lhe disponibiliza como da abordagem jurídica do assunto. Desta actividade resulta uma avaliação prévia das probabilidades que advirão da intervenção judicial o que é sempre aleatório e imprevisível.

Todavia, este estudo prévio é essencial porquanto permite que no decurso da mediação possa fornecer ao seu cliente todos os elementos de que o mesmo necessita para que possa adoptar a decisão que seja mais conforme com os seus interesses e probabilidades futuras.

Quanto mais esclarecidos estejam os mediados em relação a todos os aspectos jurídicos da questão melhor habilitados estarão a participar na mediação de forma consciente e maior será a sua confiança no processo.